Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Vento a favor

por Eliza

Estava decidido: iria dar a volta ao mundo. A questão feminina que já estava na bagagem há tempos sairia da mala por um ano, para questionar mulheres de diferentes partes do globo sobre suas vidas e sonhos. Já tinha alguns acenos positivos de mídias afim de embarcar junto. Começava a traçar o roteiro e buscava amigos viajantes para me ajudar. Liguei para uma editora com quem des de o primeiro "oi" havia simpatizado - no primeiro contato com ela saí da redação pensando "caminho certo, quero ser assim!". Depois de emails marquei um café da manhã com a Cindy. Chegamos às 10 na padaria. E aí como vai? Vô bem e você? Muito trabalho... Conta da Mongólia! (Duas médias, por favor! A minha bem escura) Então conta que que é... É que eu to com um projeto... (Pão de cereais na chapa com queijo branco! O meu de laranja é sem gelo, tá?) Jura? Também to com um. Conta você, Você primeiro, Não o seu, Vai logo!. Uma mordida e ela começou:

- "Vou dar a volta ao mundo".
- "Nossa. (nossa... respiro...) Eu também".
- "Saio em março".
Afundei no sofazinho estilo anos 50 da padoca. Com a estraha sensação de piada, espionagem, sonho, sei lá o que. "Eu saio no dia 8, oito de março... Mas que que cê vai fazer?".
- "Pesquisar sobre mulheres e sexo".
- "Mais duas médias, garçon!" Cinco minutos de espanto.

Abandonamos as possibilidades de amigos que poderiam quem sabe talvez ir com a gente e subimos para a casa de Cindy. O café terminou às 5 da tarde, junto com o roteiro da viagem. Nossa viagem... A coincidencia - aquele velho papo de que as idéias estão no ar e a gente tem que agarra-las, afirmar e fazer - me deu a certeza de que o rumo era aquele, que o vento soprava a favor. Tim tim Cindy! Boa viagem para nós!

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