Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Como ser solteira em Riad

por Cindy

Algumas táticas infalíveis para conquistar um homem:

“Ande devagar, fale devagar, sorria muito pouco, dance muito pouco, seja ajuizada e sábia, pense sempre antes de agir, meça as palavras com cuidado antes de falar e não se comporte de modo infantil.”

“Não seja fácil. Rejeição: eis o segredo para incendiar a paixão de um homem.”

Ok, esqueci de dizer que essa estas estratégias são infalíveis na Arábia Saudita. Ou pelo menos são os conselhos que as mães e tias sauditas dão a suas jovens mocinhas casadoiras (jovens quer dizer jovens mesmo, uma menina de 20 anos por lá já começa a ficar para titia). E ficar para titia numa sociedade que cunhou o provérbio “Antes sob a sombra de um homem do que sob a sombra de uma parede” não deve ser a coisa mais agradável do mundo.

O que me deixou surpresa, no entanto, não foi o teor dos conselhos. São óbvios e esperados por aquelas bandas do Golfo Pérsico. Mas sim a carga crítica com que eles e outros códigos tradicionais de conduta de lá aparecem em Vida Dupla (Girls of Riyadh), da Editora Nova Fronteira. A autora, Rajaa Alsanea (foto), uma jovem saudita de 25 anos, linda, estudante de odontologia em Chicago, descreve o cotidiano de quatro amigas ricaças e “moderninhas”. Qualquer semelhança com Sex and the City não é mera coincidência. As aventuras de Carrie Bradshaw e as amigas circulam em Riad, em cópias tão clandestinas quanto o livro de Rajaa, imediatamente proibido no país.

Num lugar como a Arábia Saudita não é necessariamente difícil (para os nossos padrões) ser uma mulher contraventora. Passear no shopping com seu grupinho de amigas, todas devidamente paramentadas com suas abbayas (uma espécie de burca vestida freqüentemente por cima de peças Armani, Cavalli ou Dolce & Gabanna), pode. Cruzar com um grupinho de garotos e aceitar sorrateiramente de um deles uma caneta com um número de telefone enrolado, numa operação a la James Bond, não pode. Ligar para o tal número, então, vira caso para a Polícia Religiosa. Outros atentados ao pudor: assistir a filmes escandalosos como, por exemplo, as Patricinhas de Beverly Hills, contrabandeados do Líbano; tomar um café com um cara que não seja seu parente; comemorar a despedida de solteira de uma amiga tomando champanhe dentro de casa; freqüentar a casa de uma mulher mal-falada e abandonada pelo marido por ter cometido o erro de ter um filho gay; transar com o marido depois de assinar os papéis do casamento (ou melhor, carimbar o dedão no contrato, já que mesmo uma médica é proibida de assiná-lo), mas antes da festa e lua-de-mel.

As personagens de Rajaa fazem tudo isso. E, quer saber, se elas quisessem ser mais eficientes na tarefa de “fisgar um bom marido”, melhor mesmo que tivessem ouvido o que as mães e tias tinham a dizer. A certa altura, uma delas reflete: “Quando o assunto é a busca de uma noiva, moças ingênuas costumam exercer uma atração maior do que as que possuem um nível avançado de conhecimento e uma percepção mais sofisticada do mundo”. E a outra: “Será que os homens sentem sua autoridade ameaçada ao perceberem que uma mulher começa a se tornar efetivamente independente em alguma área?”

Estou aqui tentando me lembrar quantas vezes ouvi amigas minhas bacanas, descoladas, modernas, incríveis reclamarem que a explicação mais plausível para estarem sozinhas é que são independentes demais. Será que somos mais parecidas com as garotas de Riad do que pensamos? Ou os homens é que são tão iguais?

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6 Comentários:

Anonymous Catarina disse...

Cindy,
Sabe as voltas que o mundo dá? Vá no vácuo que vc vai bem.
Bjos
Catarina

18 de Dezembro de 2007 18:50  
Blogger Inês disse...

então "como ser solteira em riad" tem um pouco de "como ser solteira no mundo"? e a gente se acha tão moderna. toda mulher já pensou que se fosse mais atrasada achava homem mais fácil??

18 de Dezembro de 2007 19:31  
Anonymous marilia disse...

eu acho mesmo que homem gosta de mulher que demora pra transar, que se faz de difícil e de tonta. por que, né? algum homem por aí?

18 de Dezembro de 2007 20:15  
Anonymous CM disse...

Conclusã:de burka, bata ou sarongue tanto faz o quanto agente é interessante, evoluida ou magra. Aqui ou na Conchinchina , o que conta mesmo é o quanto somos capazes de parecer com a mãe deles!

18 de Dezembro de 2007 20:23  
Anonymous Anônimo disse...

Seu blog é delicioso!

19 de Dezembro de 2007 12:33  
Blogger mashcury disse...

Incapaz de pensar seus sentimentos, de aceitar sua emoção, pasma o homem ante a mulher!

20 de Dezembro de 2007 19:01  

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