Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

É agora ou nunca

por Cindy

Eu tinha um sonho. Há muito tempo queria dar uma volta ao mundo investigando como as pessoas se relacionam mundo afora. O Sexo e o Mundo. Um Sex and the City sem fronteiras. Eu só não tinha uma louca para me acompanhar. Tinha que ser mulher. Tinha que saber manejar uma câmera de vídeo. Tinha que ser talentosa. E o mais importante: tinha que ser livre e desimpedida para passar um ano imersa numa doideira dessas.

Senti que meu dead line estava chegando. Se quisesse realmente ir, teria de apostar todas as minhas fichas. E, se quisesse sair no ano que vem, teria de ser agora. Liguei para uma amiga com quem já havia discutido esse projeto em mesas de bar. “E agora ou nunca, temos que conversar”, era o ultimato. “Te ligo hoje à noite.” Ela não ligou.

Para a manhã seguinte tinha marcado um café da manha com a Eliza. Conheci a peça quando ela foi sugerir um frila para a Viagem e Turismo, onde era editora. Ela queria uns conselhos, mas não adiantou o assunto.

“Quero dar uma volta ao mundo”, disse ela, na padoca. “Eu também”, respondi. “Quero entender as mulheres mundo afora.” “Eu também... mas em quanto tempo?” “Um ano”, ela diz. “Eu também.” “Você queria sair quando?” “Em março. E tenho como provar!”, respondi. Aquilo merecia um brinde, nem que fosse com uma média. “Vamos juntas.” “Fechou.”

As idéias estão aí. São quase sólidas. Pensar que só nos duas tivemos essa idéia seria muita pretensão. Mas naquele momento ficou muito claro que não tinha ninguém melhor para botar aquilo em prática. Nós acreditamos nisso.

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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Vento a favor

por Eliza

Estava decidido: iria dar a volta ao mundo. A questão feminina que já estava na bagagem há tempos sairia da mala por um ano, para questionar mulheres de diferentes partes do globo sobre suas vidas e sonhos. Já tinha alguns acenos positivos de mídias afim de embarcar junto. Começava a traçar o roteiro e buscava amigos viajantes para me ajudar. Liguei para uma editora com quem des de o primeiro "oi" havia simpatizado - no primeiro contato com ela saí da redação pensando "caminho certo, quero ser assim!". Depois de emails marquei um café da manhã com a Cindy. Chegamos às 10 na padaria. E aí como vai? Vô bem e você? Muito trabalho... Conta da Mongólia! (Duas médias, por favor! A minha bem escura) Então conta que que é... É que eu to com um projeto... (Pão de cereais na chapa com queijo branco! O meu de laranja é sem gelo, tá?) Jura? Também to com um. Conta você, Você primeiro, Não o seu, Vai logo!. Uma mordida e ela começou:

- "Vou dar a volta ao mundo".
- "Nossa. (nossa... respiro...) Eu também".
- "Saio em março".
Afundei no sofazinho estilo anos 50 da padoca. Com a estraha sensação de piada, espionagem, sonho, sei lá o que. "Eu saio no dia 8, oito de março... Mas que que cê vai fazer?".
- "Pesquisar sobre mulheres e sexo".
- "Mais duas médias, garçon!" Cinco minutos de espanto.

Abandonamos as possibilidades de amigos que poderiam quem sabe talvez ir com a gente e subimos para a casa de Cindy. O café terminou às 5 da tarde, junto com o roteiro da viagem. Nossa viagem... A coincidencia - aquele velho papo de que as idéias estão no ar e a gente tem que agarra-las, afirmar e fazer - me deu a certeza de que o rumo era aquele, que o vento soprava a favor. Tim tim Cindy! Boa viagem para nós!

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