Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Lá são elas que mandam

por Cindy Wilk

É fácil achar desgraça quando se busca entender a situação das mulheres pelo mundo. Resolvi, então, me dedicar a uma missão mais complicada: encontrar sociedades nas quais women rule. Isso começou num papo com um amigo. De imediato, me veio na cabeça a história das amazonas e seus muiraquitãs, mas isso é lenda.

Esse meu amigo, no entanto, conhecia uma sociedade assim. Tanto não era lenda que ele, pobrezinho, durante uma temporada chinesa, foi cair nas garras da representante máster desse sistema de matriarcado. Ele teve um caso com uma diva Mosuo, uma garota que saiu deste vilarejo perdido nas montanhas do sudoeste chinês, quase na fronteira com o Tibet, e virou capa de revistas.

O vilarejo dos Mosuo é também conhecido como o “Reino das Filhas”. Não é difícil entender o porquê:

- A palavra “pai” não existe na língua dos Mosuo.

- Os filhos moram com a mãe, mesmo que tenham seus próprios filhos.

- Mesmo que a mulher tenha filhos com um único cara, ela e as crianças moram com a mãe dela. O sujeito mora com a mãe dele.

- Quando uma menina Mosuo faz 13 anos, ela passa a vestir uma saia especial, para mostrar que é “maior” e ganha um quarto só para ela, onde pode receber homens. Quantos e quando quiser.

- Homens podem até dormir lá, mas na manhã seguinte devem voltar para a casa de suas mães.

- Se a mulher quiser acabar um relacionamento, basta não abrir a porta.

Agora imagine esse matriarcado num país onde meninas eram mortas ao nascer. Mas, como tudo na China, os Mosuo também estão mudando. O que nem mesmo a Revolução Cultural conseguiu fazer, a grana do turismo dá um jeito de produzir. A aldeia virou atração turística entre os chineses e, com isso, já há até, veja só, casamentos convencionais. Este vídeo que achei no YouTube (uma pena não ter legendas...) mostra isso:

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Bem, você deve estar se perguntando o que aconteceu com o meu amigo. Sendo um sujeito extremamente discreto, ele não me contou detalhes, mas deixou escapar: “Ela me ligava no meio da noite e mandava eu comparecer imediatamente. Quando vi, já estava fazendo faxina na casa dela”.

Nem é preciso dizer que o “Reino das Filhas” está no roteiro da viagem. Temos muito a aprender com elas.

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Troca de papéis

Um vídeo fofo para uma segundona pós-feriado...

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Tudo sobre a dança do acasalamento

por Cindy Wilk

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Conforme prometido no meu post anterior (leia aqui), vou contar algumas diferenças curiosas entre a balada que fiz em Washington e uma festinha brasileira.

- Você vê pouquíssima gente se beijando (em comparação com uma balada no Brasil).

- Em compensação, nos cantos da pista de dança, casais praticam uma espécie de “dança do acasalamento” (expressão criada por meu irmão Mauro, que mora nos EUA, e vem estudando o assunto com uma certa profundidade...).

- A “dança do acasalamento” é uma dança tão sensual quanto as que rolam em bailes funks cariocas, com a diferença de que os americanos não têm a habilidade carioca para as artes corporais.

- É curioso notar que mesmo os casais mais empolgados neste estilo de dança podem praticamente estar copulando na pista, mas não necessariamente se beijam.

- Os homens chegam mais em você. Uma mulher sozinha por ali é bastante abordada. Aqueles papinhos... “E aí, ta gostando da festa, vem sempre por aqui...”

- Mas as mulheres não deixam por menos. Numa ocasião, vi uma baixinha e gordinha com a cara da Bette Midler chegar num sósia do Woody Allen, dizendo: “I know you”. Ele tentava dizer que não a conhecia. Ela insistia. A última cena que eu vi foi ele afastando uns copos de gin Tonica, a pegando pelas ancas e a sentando no balcão.

- As pessoas são mais diretas que no Brasil. Se você não estiver a fim de seguir um papo adiante, basta dizer. “Foi muito bom conversar com você. Tchau.” Ninguém precisa dar perdido em ninguém. Mas também tem o outro lado da moeda: se o cara não tiver muito a fim de papo com você, vai dizer o mesmo.

- Agora, a diferença mais triste: às duas horas da manhã (a lei varia de estado para estado, mas em geral é isso), as luzes se acendem e todos são tocados para fora.

P.S. 1: Dessa vez, não tirei fotos na balada, mas posto aqui um vídeo muito interessante de autoria do meu irmão Mauro, testemunha freqüente das baladas universitárias de Greenville, uma pequena mas nada pacata, cidadezinha da Carolina do Norte. Note que se trata de outra dancinha igualmente comum, a da camiseta molhada.

P.S. 2: Ah, ao ler minhas observações meu irmão, que estava comigo na tal festinha, acrescentou: “Até que lá rolaram muitos beijos e pouca dança do acasalamento se comparado com as baladas de Greenville ou em outras cidades universitárias distantes dos grandes centros. Em Greenville, beijo é raríssimo e dança do acasalamento, mais freqüente que um aperto de mão”.

E você? Já fez alguma balada fora do Brasil? O que notou de diferente? Conta, vai!

Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Coisas para fazer em Washington quando não se está morta

por Cindy Wilk

Fim do ano. Sol esturricante, praias lotadas, bares animados. Todo mundo feliz. Isso tudo por aqui, ouvi dizer. Eu estava em Washington. Ruas mais silenciosas que o Arlington Cemetery (foto), média de 3º C, chuva vez ou outra. Todo mundo também devia estar feliz – mas em algum lugar mais quente que as ruas. Ou, ainda, bem longe da cidade. Afinal era Natal, conforme atestavam todas as rádios, a qualquer hora do dia, reverberando ininterruptamente a trilha sonora da estação. “It’s the most beautiful time of the year...” E aquele monte de gente que trabalha em Washington, mas que não é natural de lá, foi ser feliz com a família em algum outro lugar dos Estados Unidos.

No lugar do clima natalino, sobrou um certo ar de filme de catástrofe. Um vírus letal havia dizimado a população da capital americana. Os únicos seres humanos que se moviam eram turistas – em sua maioria, de olhinhos puxados. E, no dia 24 de dezembro, corriam para os supermercados a fim de estocar víveres para os dias piores que certamente viriam. Cup Noodles, pão, frios... E o que mais só precisasse de um frigobar e da água fervida na cafeteira para virar uma refeição dentro de um quarto de hotel. O dia 25 revelou-se pior que a previsão: somente os Subways abriram, além de biroscas mexicanas para lá de suspeitas.

Não é fácil ser turista no dia de Natal. Ainda mais uma turista de ressaca. Também não era fácil produzir uma ressaca no dia 24. Mas eu consegui.

Praticamente todos os bares de Washington estavam fechados. Adam Morgan’s, que seria uma espécie de Vila Madalena em São Paulo, estava às moscas (veja a foto abaixo). A étnica e descolada U Street, totalmente miada. Georgetown, aquela coisa meio Jardins, nada...



Só restava a já tradicional Matzo Ball (www.matzoball.org), festa organizada pela comunidade judaica americana e que rola, simultaneamente, em cinco cidades dos Estados Unidos. Começou como uma alternativa para quem não comemora o Natal ter o que fazer. Ainda é predominantemente judaica, mas acabou como uma festona também para gente de todos os credos com algo em comum: estar atrás de uma balada boa numa cidade fantasma.

Entre uma birita e outra, fiquei observando o comportamento dos americanos numa balada. Conto no próximo post. Aguardem.