<?xml version='1.0' encoding='windows-1252'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469</atom:id><lastBuildDate>Fri, 05 Dec 2008 15:30:30 +0000</lastBuildDate><title>Saia pelo Mundo</title><description>Cindy Wilk escreve sobre viagem. Acompanhe aqui suas andanças mundo afora.</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-8241899936188850765</guid><pubDate>Tue, 21 Oct 2008 19:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-21T17:31:42.110-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>CIDADES QUE EU AMO</category><title>A de Agadez</title><description>&lt;strong&gt;Por Cindy Wilk&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/Cindy_niger-700953.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/Cindy_niger-700946.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;A vida de turista em Agadez não é fácil. Nosso grupo era pequeno: oito pessoas. Todas devidamente perseguidas por uma multidão através dos estreitos caminhos do mercado. Éramos atrações na antiga capital dos tuaregues, ainda linda, porém pobre, num dos países mais miseráveis do mundo, o Níger. Estávamos na porta de entrada do mais fascinante deserto do mundo: o Saara. “Cadeau, cadeau!”, berravam as crianças atrás de presentes, uma caneta Bic, uma bala. Os adultos tentavam nos vender de sandálias de couro de camelo a gri-gris, amuletos animistas usados no país islâmico. Rej estava na multidão. Filho de mãe wodaabe e de pai tuareg, ele também vendia badulaques. Mas queria, sinceramente, saber quem eu era. Fiz o primeiro amigo da vida a andar de túnica azul e facão a tiracolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a Land Rover estacionou em frente ao hotel. Fachada ocre, como tudo por ali. Entre o grupo de curiosos que sempre orbitava ao nosso redor, reconheço Rej. Ele tirou do pescoço um cordão negro com um búzio amarrado. Búzio de quando o Saara era mar. “É para te dar sorte no bush.” Bush, o campo. Forma aparentemente imprecisa de chamar o deserto sem fim que seria minha casa pelas duas semanas seguintes. Deserto que às vezes era de dunas. Outras, repleto de rochas de formatos loucos. Por horas, era chão batido quilômetros a fio, desconcertante sensação de não mais ter referências. Mas que sempre era estrada, uma espécie de highway pontuada por poços, agraciada por oásis e povoada por gente que oferece o que não tem. Caravanas de camelos levavam sal e sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banho só de bacia, banheiro era uma pá. De noite, o céu se aproxima, aconchega. O céu que nos protege com suas estrelas cadentes e satélites artificiais. Entendi perfeitamente o título que Paul Bowles deu ao seu romance. The Sheltering Sky. Quem precisa de abrigo quando tem sobre si todo o firmamento? Última barraca desmontada, cadê o búzio no pescoço? Procuro, mas nada. No dia seguinte dormiríamos na cidade. O lugar dele era o bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta a Agadez. A Land Rover estaciona na frente do hotel, que como tudo ali é de barro com arabescos finamente esculpidos. Só para lembra que nestas terras sem chuva o ar é tão seco a ponto de fazer a vida bem mais perene que o barro. Novamente à mercê daquela ruidosa multidão, empurrando um punhado de coisas de couro de camelo bem cerzido, mas mal-curtido. Rej não estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Madam, madam”, um rapaz ejeta-se da multidão bem na minha frente. “Sou Adam, irmão de Rej. Ele não pode vir, mas pediu para te chamar”, disse ele num inglês bem melhor do que o do suposto irmão. Adam não se parecia em nada com Rej. Estava vestido de calça jeans e camiseta e usava um boné na cabeça. “Somos irmãos do mesmo pai”, adiantou-se em explicar. “Minha mãe é haussá.” Então ele era meio tuaregue e meio haussá, o que explicava suas feições mais parecidas com a gente do sul do país, que faz fronteira ali com a Nigéria. Mas nada explicava aquele boné e aquele inglês razoável. Ou ainda o fato de o garoto se auto nomear Adam. Ele tinha uma quedinha pelo “Império Americano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe diria para eu não aceitar aquele convite, mas fui. Segui Adam pelas ruelas de Agadez até que paramos na loja mais moderna que podia existir por ali. Vendia pranchas de surfe para areia. Na língua tuaregue, erg significa, literalmente, mar de dunas. Mas eu não vi nenhum tuaregue nem ninguém pegando onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos alguns minutos na loja até que Rej apareceu, acompanhado de um amigo, o Mohamed, e com um saquinho plástico na mão. Fomos andando os quatro mais alguns quarteirões até parar na entrada de um páteo. No fundo estava o quarto de Rej, que chamava menos atenção pelo tamanho – uns dois por dois – do que pelo despojamento. Não tinha móveis, nada. Um colchão bem fino no chão era a cama. Ao invés do armário, uma prateleira de alvenaria revelava seus pertences. Uma muda de roupas, uma caixa e material para fazer bijuterias. Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrarmos Rej e Adam apresentaram a irmã, Zara, que passou todo o tempo calada e, por mais que eu tentasse puxar assunto, ela ria timidamente e permanecia olhando para o fio onde encaixava, uma a uma, pequenas miçangas que formariam a pulseira que me daria de presente. Zara parecia bastante com Rej e também pintava os olhos de kajal negro e fazia pequenas bolinhas no rosto, à moda dos wodaabes. Os homens desta etnia africana costumam se maquiar mais do que as mulheres. Maquiagem e delicadeza são símbolos de beleza masculina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rej esquentou a água para fazer o chá e, em seguida, abriu com orgulho o saquinho que carregava na mão. Era um pacote de biscoito. “Você vem para o Gereewol?”, perguntou, meio com gestos. Adam traduziu. Gereewol é a maior festa wodaabe, quando os homens maquiadíssimos dançam, cantam e fazem curiosas caretas. As mulheres, vestidas modestamente e sem maquiagem, assistem à exibição e podem escolher o homem que considerarem mais bonito. Às vezes dá em casamento, noutras é apenas one night standing mesmo. Moderno, polígamo, simples assim. Quando vi, Rej estava dando uma palhinha da dança do Gereewol. Todos riram, até Zara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, meu amigo fez um ar solene e disse que queria mostrar uma coisa. Alcançou a prateleira de alvenaria e pegou algo de dentro da caixa. Eram cartas. De gente dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Austrália. Cartas de gente que passou por ali, como eu. O correio faz aquele povo se sentir parte do mundo, num país que quase não existe. Em todas as vilas pelas quais passei, pessoas com quem trocava cinco palavras escreviam o endereço num pedaço de papel e pediam para que eu mandasse notícias. Como Rej não tinha endereço fixo – parte do ano passava no bush ajudando o pai a cuidar das cabras – passou as coordenadas da biblioteca da cidade e disse que eles guardavam as cartas para ele. O tempo passou, São Paulo me engoliu novamente, Agadez virou memória enterrada com tantas outras. Nunca escrevi para Rej.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/10/de-agadez.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-809370585172211513</guid><pubDate>Tue, 22 Apr 2008 21:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-22T19:25:08.454-03:00</atom:updated><title>Como ir de Miami a São Paulo em 24 horas</title><description>&lt;strong&gt;por Cindy Wilk&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/AA5-720252.jpg" border="0" /&gt;Sou uma pessoa de sorte. Em mais de doze anos como jornalista de viagem nunca tive sequer um vôo cancelado. O mais perto que cheguei disso foi um overbooking que me deixou 600 euros mais rica e um co-piloto da American Airlines que passou mal (antes do vôo, veja bem) - que me rendeu um assento na executiva da United Airlines, para onde fui realocada. No dia 30 de março último esperava na sala de embarque de Cumbica para voar novamente pela American, desta vez para Miami. O co-piloto novamente passou mal (segundo eles) e novamente eles não tinham ninguém na manga. Mas nada de executiva da United. Acabei minha noite no Caesar Park de Guarulhos, um voucher de jantarna mão, 3 minutos de ligação. Meu vôo noturno virou um desconfortável vôo diurno, meus compromissos em Miami foram para o saco e tive que engolir um “desculpe pelo inconveniente”. Somente uma semana depois, na volta de Miami para São Paulo, no dia 7 de abril, fui descobrir que o vôo de ida foi excelente. Acompanhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30, Miami Airport - Faço o check in para o vôo AA 995, com saída previstapara 23h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23hs - A saída foi remarcada para as 0h30. As lojas e lanchonetes da área de embarque fecham, o frio do ar-condicionado é tanto que as pessoas se cobrem até com calças sobressalentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h15 - Dois rapazes tiram seus violões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0h15 - Todos embarcam. O avião está praticamente lotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0h30 - O comandante anuncia que há um probleminha no ar-condicionado e que os técnicos estão arrumando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h30 - Tudo indica que os técnicos continuam trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2hs - Mais pessoas embarcam. Lembro-me imediatamente dos ônibus indianos que só saem quando preenchem 5 vezes a lotação para a qual foram projetados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2h30 - Finalmente, o piloto avisa que o vôo foi transferido para o dia seguinte. Nos deram duas opções: dormir no aeroporto ou ir para um hotel. Todos voltam para a sala de embarque e tomam seus lugares nas quilométricas filas dos vouchers para o hotel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3hs - Fui uma das primeiras a sair (soube no dia seguinte que muitos ficaram naquelas filas até 4 da manhã) e ter o desprazer de topar com a funcionáriada Super Shuttle, empresa responsável pelo transporte da carga - ops, dos passageiros - para o hotel. Aos berros, ela desmantela a fila formada por nós e cria um tumulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3h10 - O motorista da Super Shuttle é tão pouco afável quanto ela. Novamente aos berros explica que só nos levaria se cada um apresentasse um voucher, sendo que vários deles valiam para duas pessoas. Resultado: fomos forçados a entregar o voucher que nos permitiria voltar ao aeroporto dali algumas horas. E mesmo com dezenas de hotéis vizinhos ao aeroporto, nos mandam para um a 20 minutos de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3h30 - Chegamos. Tento pela última vez argumentar que o motorista pegou mais vouchers do que deveria. Ele me acusa de roubar um dos papéis. Faço ele contar e, bingo, fica provado que não sou uma ladra. Não me contenho e mando o cara, bem, passear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3h35 - Fila pro check in do hotel Mikosukee, nome bem apropriado para asituação. É um hotel cassino, administrado por índios mikosukee. O cheiro decigarro do lobby nos acompanha até o quarto. O carpete puído exibe a marcado ferro de passar roupa que algum descuidado derrubou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3h45 - Com a verba de 10 dólares para o jantar, como um sanduíche de pastrame na cantina do cassino. Me arrependo na seqüência. Vou dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9hs - Tento fazer um café da manhã decente caber na verba de 5 dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9h30 - Um grupo desesperado se aglomera em frente à van da Super Shuttle. Não há carros suficientes nem para quem tem o voucher. Eu que não tenho ligo para a companhia e explico que o motorista de ontem o pegou por engano. A atendente diz que eu tenho que pagar. Tento argumentar. Ela desliga na minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9h40 - Racho um táxi com um casal de americanos. São 50 dólares para voltar ao aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h40 - Somos embarcados aos berros. “Quero ver uma fila, senão ninguém embarca”, berrava o comissário. “Quero ver organização!” Não seria muito tarde para pedir isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h45 - Uma grávida pede para o comissário ajudá-la a colocar a bagagem no compartimento superior. “Por que você quer ajuda?”, rebate ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h05 - Finalmente o avião decola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19hs - O comissário vem trazer um café que meus colegas de fila pediram. Peço também. “Se você queria um café deveria ter pedido antes”, responde o comissário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20hs - Chega o jantar. É uma pizza tamanho gigante compactada em 15centímetros de diâmetro. A aeromoça arremessa a pizza-chumbo diretamente no meu colo (com o molho de tomate e queijo virados para baixo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30 - Finalmente aterrissamos. A grávida pede ajuda para outro comissário para tirar suas coisas. “Não estou trabalhando”, diz ele. Outro passageiro a ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22hs - Cerca de 50 passageiros estão na fila da reclamação de bagagem.“Mandaremos as malas para a casa de vocês em até 48 horas”, jura o staff da American Airlines.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h10 - Saio do aeroporto com um dia de trabalho perdido, mal dormida, com dores nas costas, faminta. Mas com as malas na mão. E eu não disse que tenho sorte?</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/04/como-ir-de-miami-so-paulo-em-24-horas.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-8454288583743953540</guid><pubDate>Thu, 28 Feb 2008 19:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-28T17:32:28.258-03:00</atom:updated><title>Men for sale</title><description>&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/man-for-sale-765689.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/man-for-sale-765687.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Por Cindy Wilk&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que ouvimos a expressão turismo sexual vêm em mente aquelas histórias horríveis de prostituição de menores no Norte/Nordeste, os vôos charter que fazem rotas Lisboa-Fortaleza, Frankfurt-Natal, cenas do Posto 5 de Copacabana... Eu vejo (e me revolto com) tudo isso, mas também me lembro nitidamente daquela inglesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary, como vamos chamá-la aqui, tem por volta de 40 anos. Não exibe dentes perfeitos (o que não destoa muito de outros sorrisos ingleses classe média), tem um sotaque que me soou off London e certamente não upper class. Ela traja um vestidinho cor-de-rosa pálido, combinando com um corte de cabelo à la Doris Day, como se o ano 2005 não quisesse dizer muito. Uma mulher romântica, atestavam os saltinhos Anabela também cor-de-rosa, um tom acima do vestido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary sorria para Habib. Ele, sim, tinha bons dentes. Pele morena, boa estatura. Calça jeans justa e camiseta preta dobradinha na manga, que ornavam com o canastrão cabelo bem escuro penteado para trás e reluzente de gel. Os dois olhavam-se nos olhos, entre goles finais do chá de maçã, até que Habib leva um tapão nas costas. Era Mohamed, que acabara de chegar com Sara, também inglesa, um pouco mais velha que Mary, mais loira e ainda menos bonita. Ela permaneceu sentadinha na mesa simples do restaurante enquanto os dois dialogavam animadamente em árabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois de Mohamed voltar para sua mesa, a conta do almoço chega para Habib. Mary, delicadamente, sorri e tira de sua bolsa cor-de-rosa (só neste momento reparei que era exatamente do tom do sapato) uma carteira, adivinhe, cor-de-rosa, e a desliza para as mãos de Habib. Ele tira alguns dinares, fecha e devolve para sua dona. Os dois sorriem. Ele fica de pé, se aproxima e dá a mão para ela levantar. O casal sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta cena aconteceu em Hamamet, cidade costeira da Tunísia, cerca de uma hora da capital Tunis. Mas poderia ter acontecido na Turquia, onde conversei longamente com meu amigo Necdet sobre um assunto que pouca gente fala: turismo sexual praticado por mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Necdet é turco, mora e trabalha como garçom em Istambul, mas passa todas as temporadas de verão em Marmaris, praia badalada do litoral do país. Já fez e tem vários amigos que fazem um trabalho que ele nem considera trabalho: saem com garotas estrangeiras em troca de favores. Não muito. Pode ser um presentinho, os drinques da balada, a conta do restaurante. Pode não ser a garota dos sonhos desses rapazes, mas, segundo ele, eles fariam o que fazem mesmo sem esses mimos. “Aqui na Turquia não dá para namorar uma turca. Se o irmão dela descobre, eu estou morto. Essas estrangeiras vem aqui para isso”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisamos ir até a Tunísia ou a Turquia para encontrar mulheres que viajam para transar. Nem à Jamaica ou ao Haiti (alguém viu o filme &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0381690/plotsummary"&gt;Direção ao Sul&lt;/a&gt;, de Laurent Cantet?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez me hospedei num albergue no Pelourinho, em Salvador, e encontrei algumas estrangeiras que estavam ali quase que exclusivamente para isso e estavam dispostas a pagar, mesmo que fosse só a conta do restaurante. Mas também queriam receber um pouco mais que o sexo pelo sexo. Não cheguei a conversar com a romântica Mary, mas imagino que ela também quisesse carinho, atenção, uma aventurinha romântica a preços módicos (ainda mais para quem ganha em libras) e nenhum ônus emocional. O que, veja bem, é muito diferente do caso de uma turma de amigas que vai passar a semana em Buenos Aires só para fazer a festa com os hermanos gatinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fronteira entre uma relação desinteressada e turismo sexual parece ser mais tênue quando praticada por mulheres, mas que ela existe, existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Os homens na prateleira do supermercado fazem parte de uma arte-instalação do fotógrafo italiano Gianfranco Angelico Benvenuto &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/02/men-for-sale.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-2488910176635503487</guid><pubDate>Thu, 07 Feb 2008 14:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-07T12:08:52.928-02:00</atom:updated><title>Fantasia de gringo</title><description>&lt;strong&gt;Por Cindy Wilk&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wMmM4o83KhI&amp;amp;rel=" width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos muito à Gisele Bundchen. E à Alessandra Ambrósio, Luciana Curtis... A todas essas tops brasileiras que apareceram nas décadas de 1990/2000 para contrabalancear a imagem plumas-bunda-purpurina que a mulher brasileira modelo década de 80 tinha no imaginário gringo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou mais falar nada que este vídeo fala por si. Trata-se do atual governador da Califórnia Arnold Schawarzenegger, no cargo de Mister Universo, usando toda a sua massa encefálica e desferindo contrangedoras perólas para compreender a tríade que, segundo ele, compõe o Carnaval Carioca: “the bunda, the mulato and the samba”.</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/02/fantasia-de-gringo_07.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-1371429062155845269</guid><pubDate>Wed, 30 Jan 2008 16:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-02-28T17:39:26.732-03:00</atom:updated><title>Lá são elas que mandam</title><description>&lt;strong&gt;por Cindy Wilk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/masuo-703334.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/masuo-703183.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É fácil achar desgraça quando se busca entender a situação das mulheres pelo mundo. Resolvi, então, me dedicar a uma missão mais complicada: encontrar sociedades nas quais women rule. Isso começou num papo com um amigo. De imediato, me veio na cabeça a história das amazonas e seus muiraquitãs, mas isso é lenda.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Esse meu amigo, no entanto, conhecia uma sociedade assim. Tanto não era lenda que ele, pobrezinho, durante uma temporada chinesa, foi cair nas garras da representante máster desse sistema de matriarcado. Ele teve um caso com uma diva Mosuo, uma garota que saiu deste vilarejo perdido nas montanhas do sudoeste chinês, quase na fronteira com o Tibet, e virou capa de revistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vilarejo dos Mosuo é também conhecido como o “Reino das Filhas”. Não é difícil entender o porquê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A palavra “pai” não existe na língua dos Mosuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os filhos moram com a mãe, mesmo que tenham seus próprios filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mesmo que a mulher tenha filhos com um único cara, ela e as crianças moram com a mãe dela. O sujeito mora com a mãe dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando uma menina Mosuo faz 13 anos, ela passa a vestir uma saia especial, para mostrar que é “maior” e ganha um quarto só para ela, onde pode receber homens. Quantos e quando quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Homens podem até dormir lá, mas na manhã seguinte devem voltar para a casa de suas mães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se a mulher quiser acabar um relacionamento, basta não abrir a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imagine esse matriarcado num país onde meninas eram mortas ao nascer. Mas, como tudo na China, os Mosuo também estão mudando. O que nem mesmo a Revolução Cultural conseguiu fazer, a grana do turismo dá um jeito de produzir. A aldeia virou atração turística entre os chineses e, com isso, já há até, veja só, casamentos convencionais. Este vídeo que achei no YouTube (uma pena não ter legendas...) mostra isso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-e550f1ee9e6cb979" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqAAAAEbqiT-pXmimn7VDny7-dKp7z1L6xENUP8o9a6wsVewFuPIrdhk8Mw4bAKzssYtXzIxP7M0LNiWDcvQHH9LNyXAzN-7JkKqiXfDwynJ-TUn7cfMYmdkLbGBwigxOQ0SU0gWfl1uYhxWp9EIVMFPxNQ9MwxH1rTCpaz7sm3laXhBSsXT5ESy8mpa5_K5S97hJkcGm6Xs8eeQtgUnVHDHZtW7m4oN17BIUKVJUUAeOL4kZ%26sigh%3DdDIiE_0VMTJ7phLpTDgPBxSzQ20%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;amp;nogvlm=1&amp;amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3De550f1ee9e6cb979%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DTblaZ_O7ELau_gPuUjMZSVhQag4&amp;amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DqAAAAEbqiT-pXmimn7VDny7-dKp7z1L6xENUP8o9a6wsVewFuPIrdhk8Mw4bAKzssYtXzIxP7M0LNiWDcvQHH9LNyXAzN-7JkKqiXfDwynJ-TUn7cfMYmdkLbGBwigxOQ0SU0gWfl1uYhxWp9EIVMFPxNQ9MwxH1rTCpaz7sm3laXhBSsXT5ESy8mpa5_K5S97hJkcGm6Xs8eeQtgUnVHDHZtW7m4oN17BIUKVJUUAeOL4kZ%26sigh%3DdDIiE_0VMTJ7phLpTDgPBxSzQ20%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;amp;nogvlm=1&amp;amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3De550f1ee9e6cb979%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DTblaZ_O7ELau_gPuUjMZSVhQag4&amp;amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, você deve estar se perguntando o que aconteceu com o meu amigo. Sendo um sujeito extremamente discreto, ele não me contou detalhes, mas deixou escapar: “Ela me ligava no meio da noite e mandava eu comparecer imediatamente. Quando vi, já estava fazendo faxina na casa dela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem é preciso dizer que o “Reino das Filhas” está no roteiro da viagem. Temos muito a aprender com elas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</description><enclosure type='video/mp4' url='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=e550f1ee9e6cb979&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/01/l-so-elas-que-mandam.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-8184935726669445659</guid><pubDate>Mon, 28 Jan 2008 16:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-28T14:24:14.674-02:00</atom:updated><title>Troca de papéis</title><description>Um vídeo fofo para uma segundona pós-feriado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/vErJFmUF7DM&amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/vErJFmUF7DM&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/01/troca-de-papis.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-1301890521430983411</guid><pubDate>Wed, 16 Jan 2008 17:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-16T15:56:29.064-02:00</atom:updated><title>Tudo sobre a dança do acasalamento</title><description>&lt;strong&gt;por Cindy Wilk&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-4e611107a55c17d" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DpgAAAPCZD0ddCGBZjZs6HcCGJYdGZy9Fh5Wq7eZFRlW_h5KWuQ9RwpFbzGQLAl5w5J8OLJS5UUB7o55R6OeHVlLJSfPAok9hY3_30CHeJu4M24fiAIRYb6Tu1vt22ExGkOp63myNGGKwFRP6MpYAcD8LQnKt8tP7GmzFstrJARnMW7gFU7rKBeltqJvh5-LVnqVExF71i1KV1OzHkAWESBoWuManvbQmAd70MwnBSj_9OTkQ%26sigh%3Ddq_SDD6tkJ39pPMIjYOT8CasTiM%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;amp;nogvlm=1&amp;amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D4e611107a55c17d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DMErqHZdSPpPpo5nqLEe5lMuuXeI&amp;amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.blogger.com/img/videoplayer.swf?videoUrl=http%3A%2F%2Fvp.video.google.com%2Fvideodownload%3Fversion%3D0%26secureurl%3DpgAAAPCZD0ddCGBZjZs6HcCGJYdGZy9Fh5Wq7eZFRlW_h5KWuQ9RwpFbzGQLAl5w5J8OLJS5UUB7o55R6OeHVlLJSfPAok9hY3_30CHeJu4M24fiAIRYb6Tu1vt22ExGkOp63myNGGKwFRP6MpYAcD8LQnKt8tP7GmzFstrJARnMW7gFU7rKBeltqJvh5-LVnqVExF71i1KV1OzHkAWESBoWuManvbQmAd70MwnBSj_9OTkQ%26sigh%3Ddq_SDD6tkJ39pPMIjYOT8CasTiM%26begin%3D0%26len%3D86400000%26docid%3D0&amp;amp;nogvlm=1&amp;amp;thumbnailUrl=http%3A%2F%2Fvideo.google.com%2FThumbnailServer2%3Fapp%3Dblogger%26contentid%3D4e611107a55c17d%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw320%26sigh%3DMErqHZdSPpPpo5nqLEe5lMuuXeI&amp;amp;messagesUrl=video.google.com%2FFlashUiStrings.xlb%3Fframe%3Dflashstrings%26hl%3Den" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme prometido no meu post anterior (&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/01/coisas-para-fazer-em-washington-quando.html"&gt;leia aqui&lt;/a&gt;), vou contar algumas diferenças curiosas entre a balada que fiz em Washington e uma festinha brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vê pouquíssima gente se beijando (em comparação com uma balada no Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em compensação, nos cantos da pista de dança, casais praticam uma espécie de “dança do acasalamento” (expressão criada por meu irmão Mauro, que mora nos EUA, e vem estudando o assunto com uma certa profundidade...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A “dança do acasalamento” é uma dança tão sensual quanto as que rolam em bailes funks cariocas, com a diferença de que os americanos não têm a habilidade carioca para as artes corporais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É curioso notar que mesmo os casais mais empolgados neste estilo de dança podem praticamente estar copulando na pista, mas não necessariamente se beijam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os homens chegam mais em você. Uma mulher sozinha por ali é bastante abordada. Aqueles papinhos... “E aí, ta gostando da festa, vem sempre por aqui...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas as mulheres não deixam por menos. Numa ocasião, vi uma baixinha e gordinha com a cara da Bette Midler chegar num sósia do Woody Allen, dizendo: “I know you”. Ele tentava dizer que não a conhecia. Ela insistia. A última cena que eu vi foi ele afastando uns copos de gin Tonica, a pegando pelas ancas e a sentando no balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As pessoas são mais diretas que no Brasil. Se você não estiver a fim de seguir um papo adiante, basta dizer. “Foi muito bom conversar com você. Tchau.” Ninguém precisa dar perdido em ninguém. Mas também tem o outro lado da moeda: se o cara não tiver muito a fim de papo com você, vai dizer o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora, a diferença mais triste: às duas horas da manhã (a lei varia de estado para estado, mas em geral é isso), as luzes se acendem e todos são tocados para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a&gt;&lt;em&gt;P.S. 1: Dessa vez, não tirei fotos na balada, mas posto aqui um vídeo muito interessante de autoria do meu irmão Mauro, testemunha freqüente das baladas universitárias de Greenville, uma pequena mas nada pacata, cidadezinha da Carolina do Norte. Note que se trata de outra dancinha igualmente comum, a da camiseta molhada.&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;P.S. 2: Ah, ao ler minhas observações meu irmão, que estava comigo na tal festinha, acrescentou: “Até que lá rolaram muitos beijos e pouca dança do acasalamento se comparado com as baladas de Greenville ou em outras cidades universitárias distantes dos grandes centros. Em Greenville, beijo é raríssimo e dança do acasalamento, mais freqüente que um aperto de mão”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E você? Já fez alguma balada fora do Brasil? O que notou de diferente? Conta, vai!&lt;/strong&gt;</description><enclosure type='video/mp4' url='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=4e611107a55c17d&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/01/tudo-sobre-dana-do-acasalamento_14.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-5116424401330873047</guid><pubDate>Fri, 11 Jan 2008 15:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-11T16:26:29.491-02:00</atom:updated><title>Coisas para fazer em Washington quando não se está morta</title><description>&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/IMG_1149peq-771448.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/IMG_1149peq-771032.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;por Cindy Wilk&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fim do ano. Sol esturricante, praias lotadas, bares animados. Todo mundo feliz. Isso tudo por aqui, ouvi dizer. Eu estava em Washington. Ruas mais silenciosas que o Arlington Cemetery (&lt;em&gt;foto&lt;/em&gt;), média de 3º C, chuva vez ou outra. Todo mundo também devia estar feliz – mas em algum lugar mais quente que as ruas. Ou, ainda, bem longe da cidade. Afinal era Natal, conforme atestavam todas as rádios, a qualquer hora do dia, reverberando ininterruptamente a trilha sonora da estação. “It’s the most beautiful time of the year...” E aquele monte de gente que trabalha em Washington, mas que não é natural de lá, foi ser feliz com a família em algum outro lugar dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar do clima natalino, sobrou um certo ar de filme de catástrofe. Um vírus letal havia dizimado a população da capital americana. Os únicos seres humanos que se moviam eram turistas – em sua maioria, de olhinhos puxados. E, no dia 24 de dezembro, corriam para os supermercados a fim de estocar víveres para os dias piores que certamente viriam. Cup Noodles, pão, frios... E o que mais só precisasse de um frigobar e da água fervida na cafeteira para virar uma refeição dentro de um quarto de hotel. O dia 25 revelou-se pior que a previsão: somente os Subways abriram, além de biroscas mexicanas para lá de suspeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil ser turista no dia de Natal. Ainda mais uma turista de ressaca. Também não era fácil produzir uma ressaca no dia 24. Mas eu consegui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente todos os bares de Washington estavam fechados. Adam Morgan’s, que seria uma espécie de Vila Madalena em São Paulo, estava às moscas (&lt;em&gt;veja a foto abaixo&lt;/em&gt;). A étnica e descolada U Street, totalmente miada. Georgetown, aquela coisa meio Jardins, nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/IMG_1160peq-752947.jpg"&gt;&lt;img style="CURSOR: hand" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/IMG_1160peq-752582.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só restava a já tradicional Matzo Ball (www.matzoball.org), festa organizada pela comunidade judaica americana e que rola, simultaneamente, em cinco cidades dos Estados Unidos. Começou como uma alternativa para quem não comemora o Natal ter o que fazer. Ainda é predominantemente judaica, mas acabou como uma festona também para gente de todos os credos com algo em comum: estar atrás de uma balada boa numa cidade fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma birita e outra, fiquei observando o comportamento dos americanos numa balada. Conto no próximo post. Aguardem.&lt;/div&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2008/01/coisas-para-fazer-em-washington-quando.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-7607231140972920034</guid><pubDate>Fri, 28 Dec 2007 05:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-04T12:25:11.144-02:00</atom:updated><title>Carro de macho</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/file-790859.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/file-790854.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;por Cindy&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou nos Estados Unidos passando o fim do ano. Eis que numa estrada nos confins da Carolina do Norte encontro isso aí. Um legítimo exemplar de “carro de macho”. Tinha que postar. Mas, vem cá, você acha que é preciso ter colhões para usar esse discreto penduricalho na traseira do carro? Ou é justamente a falta dele que faz alguém querer afirmar tanto assim sua masculinidade? Juro que quis perguntar, mas nem preciso dizer que o cara estava a mil por hora. Só deu tempo de tirar essa foto...&lt;/div&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2007/12/carro-de-macho.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-4055599396986397105</guid><pubDate>Tue, 18 Dec 2007 22:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-19T17:17:39.805-02:00</atom:updated><title>E como ser brasileira em Tunis…</title><description>&lt;strong&gt;por Cindy&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/bar_tunis-772911.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/bar_tunis-772529.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa história das meninas sauditas não me sai da cabeça. Já senti na pele algumas vezes o que é ter minha liberdade cerceada pelo simples fato de ser mulher. Se eu morasse naquela sociedade certamente seria trágico. Como turista chega a ser quase cômico, uma história para contar pros amigos. Assim foi quando eu quis fazer algo impensável, abominável, execrável e reprimível em Tunis, capital da Tunísia. Eu quis, vejam só, tomar uma cervejinha....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imbuída deste espírito contraventor, desci para o lobby do Majestic Hotel, centenário muquifo estilo &lt;em&gt;elegance avec decadence&lt;/em&gt; da Avenue de Paris, uma charmosa rua que corta a Habib Bourguiba. Elegance por fora, um edifício em estilo rococó francês. O resto era só decadence. E era o máximo que eu poderia ter em Túnis por 50 doletas a diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazer o check in, vi que havia um bar no hotel, atrás de uma portinhola ao lado da recepção. Deixei minhas coisas no quarto e fui para lá. Não consegui nem tocar na maçaneta pois o funcionário da recepção praticamente pulou na minha frente para me impedir. “Não é recomendável que você entre aqui. Não pega bem para uma mulher”, disse ele. “Mas eu posso te servir no salão do café da manhã”, completou me indicando uma sala completamente vazia e separada da recepção por uma cortina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconformada, saí decidida a encontrar um bar para turistas. Como por milagre, alguns quarteirões adiante, dei de cara com a placa: “&lt;em&gt;Restorant Touristique&lt;/em&gt;”. Era a senha. Entrei, toda animada, e quase caí para trás. O restaurante estava lotado, mas não parecia ser algo tão &lt;em&gt;touristique&lt;/em&gt; assim. Das cerca de cem pessoas que estavam lá, só havia três mulheres – devidamente acompanhadas. Pedir uma cerveja era um ato de coragem. Pedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garçom agiu naturalmente, mas os meus colegas de boteco não. Era só eu cruzar os olhos com algum deles que recebia, na melhor das hipóteses, uma piscadela. Tirei da bolsa meu diário salvador e passei a escrever tentando só olhar para cima com o rabo dos olhos. Tudo bem, eu não deveria estar lá, mas a curiosidade exigiu que eu ao menos acabasse minha cervejinha. Não aconteceu. Antes disso, o garçom veio com um “presente” mandado pelo bigodudo da mesa ao lado. Era uma fatia de laranja com meia cereja no centro. Aquilo era demais para mim. Vai saber o significado de um troço desses. Já ia me levantando, quando me ocorreu de perguntar para o garçom se era falta de educação deixar o “mimo”. Era. Já na rua, joguei a fatia de laranja no lixo e corri para o Majestic e seu bar a portas fechadas. Ainda bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não saí antes de tirar a foto que vocês viram no alto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Antes que eu me esqueça: essa e outras histórias estão no livro A Volta ao Mundo em 101 Dicas, que sai em Março pela Ediouro!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2007/12/e-como-ser-brasileira-em-tunis.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-5735790560965641459</guid><pubDate>Mon, 17 Dec 2007 23:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-18T03:28:22.434-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>biblioteca</category><title>Como ser solteira em Riad</title><description>&lt;a href="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/raja-757163.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://www.saiapelomundo.com/blog/uploaded_images/raja-757159.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;por Cindy&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Algumas táticas infalíveis para conquistar um homem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ande devagar, fale devagar, sorria muito pouco, dance muito pouco, seja ajuizada e sábia, pense sempre antes de agir, meça as palavras com cuidado antes de falar e não se comporte de modo infantil.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não seja fácil. Rejeição: eis o segredo para incendiar a paixão de um homem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, esqueci de dizer que essa estas estratégias são infalíveis na Arábia Saudita. Ou pelo menos são os conselhos que as mães e tias sauditas dão a suas jovens mocinhas casadoiras (jovens quer dizer jovens mesmo, uma menina de 20 anos por lá já começa a ficar para titia). E ficar para titia numa sociedade que cunhou o provérbio “Antes sob a sombra de um homem do que sob a sombra de uma parede” não deve ser a coisa mais agradável do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me deixou surpresa, no entanto, não foi o teor dos conselhos. São óbvios e esperados por aquelas bandas do Golfo Pérsico. Mas sim a carga crítica com que eles e outros códigos tradicionais de conduta de lá aparecem em Vida Dupla (Girls of Riyadh), da Editora Nova Fronteira. A autora, Rajaa Alsanea (&lt;em&gt;foto&lt;/em&gt;), uma jovem saudita de 25 anos, linda, estudante de odontologia em Chicago, descreve o cotidiano de quatro amigas ricaças e “moderninhas”. Qualquer semelhança com Sex and the City não é mera coincidência. As aventuras de Carrie Bradshaw e as amigas circulam em Riad, em cópias tão clandestinas quanto o livro de Rajaa, imediatamente proibido no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num lugar como a Arábia Saudita não é necessariamente difícil (para os nossos padrões) ser uma mulher contraventora. Passear no shopping com seu grupinho de amigas, todas devidamente paramentadas com suas abbayas (uma espécie de burca vestida freqüentemente por cima de peças Armani, Cavalli ou Dolce &amp;amp; Gabanna), pode. Cruzar com um grupinho de garotos e aceitar sorrateiramente de um deles uma caneta com um número de telefone enrolado, numa operação a la James Bond, não pode. Ligar para o tal número, então, vira caso para a Polícia Religiosa. Outros atentados ao pudor: assistir a filmes escandalosos como, por exemplo, as Patricinhas de Beverly Hills, contrabandeados do Líbano; tomar um café com um cara que não seja seu parente; comemorar a despedida de solteira de uma amiga tomando champanhe dentro de casa; freqüentar a casa de uma mulher mal-falada e abandonada pelo marido por ter cometido o erro de ter um filho gay; transar com o marido depois de assinar os papéis do casamento (ou melhor, carimbar o dedão no contrato, já que mesmo uma médica é proibida de assiná-lo), mas antes da festa e lua-de-mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As personagens de Rajaa fazem tudo isso. E, quer saber, se elas quisessem ser mais eficientes na tarefa de “fisgar um bom marido”, melhor mesmo que tivessem ouvido o que as mães e tias tinham a dizer. A certa altura, uma delas reflete: “Quando o assunto é a busca de uma noiva, moças ingênuas costumam exercer uma atração maior do que as que possuem um nível avançado de conhecimento e uma percepção mais sofisticada do mundo”. E a outra: “Será que os homens sentem sua autoridade ameaçada ao perceberem que uma mulher começa a se tornar efetivamente independente em alguma área?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui tentando me lembrar quantas vezes ouvi amigas minhas bacanas, descoladas, modernas, incríveis reclamarem que a explicação mais plausível para estarem sozinhas é que são independentes demais. Será que somos mais parecidas com as garotas de Riad do que pensamos? Ou os homens é que são tão iguais?</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2007/12/como-ser-solteira-em-riad.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-7455138881580503746</guid><pubDate>Wed, 28 Nov 2007 01:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-24T15:37:47.488-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>cinema</category><title>Todo dia</title><description>&lt;strong&gt;por Eliza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Primeiro foi a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;idéia&lt;/span&gt;. “um ano de volta ao mundo”. Seguiram sorrisos de orgulho do próprio sonho. Contava para os amigos o plano e viajava na mesa de bar rodeada por &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;chopes&lt;/span&gt;. O travesseiro toda noite se despedia entoando o “Como viabilizar? Como viabilizar? Como?..”. Sem a resposta mas com uma certeza meio estranha de que sim, rolará, acordava sem vontade de levantar. Antes do olho abrir um pensamento começou a se tornar obsessivo: “pra quê que você inventa essas coisas? Arruma um trabalho fixo e pára com isso”. Vencida a inércia, o banho trazia de volta sorrisos. No espelho imaginava os espelhos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Tóquio&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Moscou&lt;/span&gt;, Cidade do Cabo... Voltava a coragem. Agora, a três meses do embarque, cada dia reserva uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;surpresinha&lt;/span&gt;. Entre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;freelas&lt;/span&gt; outros me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;reúno&lt;/span&gt; todos os dias com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Cindy&lt;/span&gt;. Envia &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;projeto&lt;/span&gt; daqui, desenha cartão, grava piloto. Edita. Edita. Edita.&lt;br /&gt;Depois de duas reuniões num dia destes entramos para a Viagem a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Darjeeling&lt;/span&gt;. Os irmãos mimados, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;engraçadíssimos&lt;/span&gt;, tentam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;planejar&lt;/span&gt; o imprevisível num trem na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;India&lt;/span&gt;. Tudo fracassa. Quando se desiste de todos os esquematismos e planos a viagem começa a fluir encantadora. Enquanto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;planejo&lt;/span&gt; aqui, de frente para o computador, com a mão no telefone, pensando nas produções, planos a b e c, sonho com o momento do pé na estrada, de sentir o vento e me jogar.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_aINVCANm_mg/R1_ze92-fDI/AAAAAAAAAAU/esxXRLCt1b4/s1600-h/darjelling.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143097012807171122" style="CURSOR: pointer" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_aINVCANm_mg/R1_ze92-fDI/AAAAAAAAAAU/esxXRLCt1b4/s320/darjelling.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2007/11/todo-dia.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_aINVCANm_mg/R1_ze92-fDI/AAAAAAAAAAU/esxXRLCt1b4/s72-c/darjelling.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-6604384907472635992</guid><pubDate>Fri, 24 Aug 2007 16:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-18T04:01:26.006-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>making off</category><title>É agora ou nunca</title><description>&lt;strong&gt;por Cindy&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu tinha um sonho. Há muito tempo queria dar uma volta ao mundo investigando como as pessoas se relacionam mundo afora. O Sexo e o Mundo. Um Sex and the City sem fronteiras. Eu só não tinha uma louca para me acompanhar. Tinha que ser mulher. Tinha que saber manejar uma câmera de vídeo. Tinha que ser talentosa. E o mais importante: tinha que ser livre e desimpedida para passar um ano imersa numa doideira dessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti que meu dead line estava chegando. Se quisesse realmente ir, teria de apostar todas as minhas fichas. E, se quisesse sair no ano que vem, teria de ser agora. Liguei para uma amiga com quem já havia discutido esse projeto em mesas de bar. “E agora ou nunca, temos que conversar”, era o ultimato. “Te ligo hoje à noite.” Ela não ligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a manhã seguinte tinha marcado um café da manha com a Eliza. Conheci a peça quando ela foi sugerir um frila para a Viagem e Turismo, onde era editora. Ela queria uns conselhos, mas não adiantou o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quero dar uma volta ao mundo”, disse ela, na padoca. “Eu também”, respondi. “Quero entender as mulheres mundo afora.” “Eu também... mas em quanto tempo?” “Um ano”, ela diz. “Eu também.” “Você queria sair quando?” “Em março. E tenho como provar!”, respondi. Aquilo merecia um brinde, nem que fosse com uma média. “Vamos juntas.” “Fechou.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias estão aí. São quase sólidas. Pensar que só nos duas tivemos essa idéia seria muita pretensão. Mas naquele momento ficou muito claro que não tinha ninguém melhor para botar aquilo em prática. Nós acreditamos nisso.</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2007/08/agora-ou-nunca.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5100734077163184469.post-5838549088324649892</guid><pubDate>Thu, 23 Aug 2007 18:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-18T04:02:17.808-02:00</atom:updated><category domain='http://www.blogger.com/atom/ns#'>making off</category><title>Vento a favor</title><description>&lt;strong&gt;por Eliza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estava decidido: iria dar a volta ao mundo. A questão feminina que já estava na bagagem há tempos sairia da mala por um ano, para questionar mulheres de diferentes partes do globo sobre suas vidas e sonhos. Já tinha alguns acenos positivos de mídias afim de embarcar junto. Começava a traçar o roteiro e buscava amigos viajantes para me ajudar. Liguei para uma editora com quem des de o primeiro "oi" havia simpatizado - no primeiro contato com ela saí da redação pensando "caminho certo, quero ser assim!". Depois de emails marquei um café da manhã com a Cindy. Chegamos às 10 na padaria. E aí como vai? Vô bem e você? Muito trabalho... Conta da Mongólia! (Duas médias, por favor! A minha bem escura) Então conta que que é... É que eu to com um projeto... (Pão de cereais na chapa com queijo branco! O meu de laranja é sem gelo, tá?) Jura? Também to com um. Conta você, Você primeiro, Não o seu, Vai logo!. Uma mordida e ela começou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Vou dar a volta ao mundo".&lt;br /&gt;- "Nossa. (nossa... respiro...) Eu também".&lt;br /&gt;- "Saio em março".&lt;br /&gt;Afundei no sofazinho estilo anos 50 da padoca. Com a estraha sensação de piada, espionagem, sonho, sei lá o que. "Eu saio no dia 8, oito de março... Mas que que cê vai fazer?".&lt;br /&gt;- "Pesquisar sobre mulheres e sexo".&lt;br /&gt;- "Mais duas médias, garçon!" Cinco minutos de espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonamos as possibilidades de amigos que poderiam quem sabe talvez ir com a gente e subimos para a casa de Cindy. O café terminou às 5 da tarde, junto com o roteiro da viagem. Nossa viagem... A coincidencia - aquele velho papo de que as idéias estão no ar e a gente tem que agarra-las, afirmar e fazer - me deu a certeza de que o rumo era aquele, que o vento soprava a favor. Tim tim Cindy! Boa viagem para nós!</description><link>http://www.saiapelomundo.com/blog/2007/08/vento-favor.html</link><author>noreply@blogger.com (Cindy Wilk)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item></channel></rss>